sábado, 12 de novembro de 2011

Últimos erros

Ellen estava sentada sob o viés da janela, o rosto de pele pálida e ultrajante colava-se ao vidro gelado, nervoso, que produzia ruídos indefinidos a meia voz. A garganta doía, tal como sua cabeça, as mãos engalfinhavam-se uma nas outras procurando o machucado que a sangrara, não importava ele acabaria encontrando-a. Até ali, ao final de tudo. Lupus adentra a sala pequena e velha, sem carpete ou decoração, os móveis fedem a mofo, nada disto a incomoda, o lobo a cheira então se apoia em Ellen. Sorri. Ela o acaricia sussurrando alguns conformismos mentirosos, até ter certeza de que "ele" está ali. Tom pisa cuidadosamente no chão, a arma inconstante no seu turbilhão de pensamentos, o sangue fluindo pelas veias está fervendo, pulsando, um vulcão seria pouco, sua sede era pouca. Lupus virou para trás, as presas rangiam ao estranho de belas feições tão tipicamente estereotipadas.
- Você demorou - Ellen ironizou numa última ação insolente, se vendo sem a magia das palavras brilhantes que procuravam sempre a eterna posição.
- Você melhorou bastante, admito que não esperava que chegássemos a tanto - Tom apontou a arma para ela - Quais são suas ultimas palavras, minha pequena Ellen?
O apelido a fez desfrutar de uma náusea, respirou profundamente terminando sua oração mental.
- Irá queimar no inferno tanto quanto eu, e estarei lhe esperando lá baixo. A festa não acaba aqui.
O eco atravessado do estouro, a bala fugia na direção da mulher a atingindo ao peito, o corpo caiu sem vida para trás, Tom apoiou-se sobre os joelhos. Lupus havia sumido. Estava terminado, por enquanto, pois Ellen tinha razão e Tom sabia disto tanto quanto a lua que embebedava as nuvens.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

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Costumam dizer que possuo uma fé cega em utopias, agora dispo-me de certos conceitos, fiz provas as utopias serem reais, não sei o que possuo dentro de mim, que quanto mais cresce mais garra obtém e foco, os sentimentos me parecem quase distantes, e pretendo os manter assim, perder meus objetivos seria me perder neste instante.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

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Sinceramente estou em dia sem paciência para as pessoas e o mundo, me irrita as manias estranhas, os trejeitos dos lábios, a voz atiçada, a preguiça que domina meu corpo de forma irreverente, irrita-me os afazeres, a falta da distância do silêncio da chuva e da boa música, meus rigojizos são poucos, lentos, árduos. Desejo mais calma, mais sombras, mais imperfeções, mais tudo que me leve para o menos, substancialmente não vejo alegria e é exatamete isto que me faz continuar.

domingo, 30 de outubro de 2011

Samhain ou Halloween?

O Halloween é comemorado no dia 31 de Outubro de cada ano, entretanto alguns historiadores e especialistas acreditam que esta festa é na verdade o festival de Samhain da cultura Celta. O festival de Samhain era a comemoração da passagem do ano celta e era comemorado do dia 30 de Outubro até o dia 2 de novembro. Segundo o Samhain o dia 31 de Outubro não pertencia nem ao ano que havia se passado nem ao que chegava, portanto ele era uma ruptura, o dia em que os espirítos voltavam dos cemitérios para possuir o corpo dos parentes, afim de evitar a aproximação das almas, os pagãos apagavam as fogueiras de suas casas, enfeitavam abóboras e penduravam esqueletos para afastar os agouros, além de vestirem-se com fantasias para assustarem ou passarem despercebidos ao espirítos que vagavam. Outro costume era oferecer alimento aos espirítos para que estes não desejassem interferir em suas vidas. Essa data também já foi marcada no passado, mais especificamente na Idade Média como amaldiçoada pela igreja e quem participava dela poderia ser queimado na fogueira, visto como satânico ou bruxo, esta visão ainda permanece em alguns religiosos. Para tentar conter a festa pagã a igreja Católica no século IV consagrava uma festa no dia 2 de Novembro para todos os santos, em verdade inicialmente esta celebração ocorria no dia 13 de maio. Como se pode notar a festa de Halloween parece uma evolução do festival de Samhain para algo mais comercial nos dias de hoje, está mais presentes nos países de cultura germânica pela questão histórica como EUA, Irlanda, Reino Unido e até mesmo Canadá. O Halloween agora é um evento em que as crianças fantasiadas saem para pedir doces ou travessuras.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

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Eu era chuva de verão, sempre inesperada, distante, convicta, uma tormenta em meio ao sol e depois nada, porque me desfalecia, afastava, sumia, desertava, gostava desses jogos perigosos e estreitos onde não se têm mais que vencedores insanos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

infortúnios...

Não sei bem como isto acontece, começa pelos gestos vulgares que noto, a forma torta dos lábios os estranhos arredores, de repente se transforma em muito, muito mais do que prevejo e sou capaz de controlar, sinto um espasmo e estou enjoada das pessoas, elas me aborrecem por vezes por respirar, sei que não posso roubar seus ares então me excluo como se minha unica alternartiva fosse continuar assim, desculpem-me, porém não sei viver de outra forma se não esta.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

arte...

"... Não que eu não possa fazer outra coisa, em verdade tenho um leque de opções, mas a que realmente me traz satisfação e é capaz de me fazer feliz é a arte, não gosto das leis, das restrições, do normal, o normal nunca foi para mim o melhor caminho..."

L.E.Haubert


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

falando sobre filmes: O Procurado


O filme não é nenhum super lançamento, é de 2008, porém ele poderia ser deste ano e seria aprovado igualmente. Para quem gosta de filmes que levam a realidade 100% não é bom assistir, entretanto para aqueles que adoram uma reinventada no gênero de ação é esplêndido. Tenho de dar o braço a torcer o longa me surpreendeu, as cenas de ação são bem feitas e provavelmente te deixarão sem ar, o ator James McAvoy interpreta o Wesley, um contador gerente de contas que tem uma vida miserável e infeliz, até a entrada da triunfante Angelina Jolie no papel de Fox (uma assassina), qual o informa que seu pai era um dos maiores assassinos da história e pertencia ao que eles chamam de A Fraternidade, e morrera um dia antes, quem o matara estava perseguindo-o e só lhe resta então entra para a fraternidade afim de receber treinamento para vir mais tarde a enfrentar o homem que deseja o matar também, depois disto a história entra numa frenesi, o roteiro é recheado de palavras de baixo calão e atropelamento, afinal o filme é "até" curto. Tirando isto, é realmente uma boa dica, não há romances piegas, ou a história de um " super homem ", porém posso garantir muitos efeitos especiais, uma trilha sonora ao meu entender quase perfeita e muitas balas contrariando as leis da física. Alias de quebra além de Jolie que garante sucesso de bilheteria e James, temos estrelas como Morgan Freeman e Terence Stamp.



video

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

feliz dia das crianças!

Feliz dia das crianças, a todas as crianças, jovens e adultos, porque no final das contas sempre teremos um pouco dos pequenos em nós!


Obs: o trio ao lado foi escolhido porque foi o que mais marcou minha infância...

livros!

Não sei ao certo se é bem o ato de escrever que me consome, ou se é a questão de ver uma prateleira repleta de livros, se é o aroma tão afetado que me entristece. Não importa quanto eu escolha, rode e torne a optar, sempre paro frente a mesma prateleira e fico lá, remoendo meus medos, anseios e desgostos além de observar as capas tão cuidadosamente desenhadas, é nesse interím esdrúxulo que me sinto viva, como se cada página daquelas valesse por mil encarnações!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

é pela falta...

... de tato que quero mais, pela falta de dias ao calendário, a falta de horas de sonho, é a falta do imaginável que nos consome numa medida quase assassina, contiuo seguindo em frente, porque as montanhas me fazem ver onde preciso realmente estar, mesmo que me falte tudo...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Além

Era meio que noite, meio que frio, meio que fresco. Estava assim deitada, embora duvidasse freqüentemente de meu humor que caducava nas horas, da exímia alegria a uma quase depressão, desta para uma serenidade que de estado durava menos que um piscar, acabava indo procurar fora costumes que se adequassem, dizia a mim mesma que iria mudar, hoje, amanhã, no entanto não o fazia, pois era incapaz, estava enraizada, acostumada demasiadamente em meus saudosos defeitos tão calorosos.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

It's too late to apologize ♫♪

Acordei esta manhã, meio que como quem desperta de um sonho inútil e traiçoeiro, jurei ter escutado o barulho de chuva, quais descobri serem canos furados mais tarde, afundei-me nesse desânimo pela falta de chuva, nada me deixa melhor que ela, o som do choque das partículas de água em milhares de bases, o aroma da terra molhada tão fértil, a feliz sensação de ser intocável por instantes, miséros instantes.
É entre essas sensações, ouvindo uma música qualquer que toca em meu mp4, descubro que as letras da canção está mais que recheadas de razão, saboreio lentamente cada silaba como única, sinto muito, mas descobri hoje que é muito tarde para pedir desculpas, por tudo e de tudo
excuses pour aujourd'hui ne sont pas sur le menu.

sábado, 24 de setembro de 2011

Música...

Não sai da cabeça...

Kins of Leon - Use Somebody

I've been roaming around
Always looking down at all I see
Painted faces, fill the places I can't reach

You know that I can use somebody
You know that I can use somebody

Someone like you, and all you know, and how you speak
Countless lovers under cover of the street
You know that I can use somebody
You know that I can use somebody
Someone like you

Off in the night, while you live it up, I'm off to sleep
Waging wars to shake the poet and the beat
I hope it's gonna make you notice
I hope it's gonna make you notice

Someone like me
Someone like me
Someone like me, somebody

(Back Vocal)
I'm ready, I'm ready now
I'm ready now, I'm ready now
I'm ready now, I'm ready now
I'm ready now

Someone like you, somebody
Someone like you, somebody
Someone like you, somebody

I've been roaming around,
Always looking down at all I see

Desejo do dia....



Não tem coisa melhor...


...

De repente o tempo passa, e você percebe coisas, manias, trejeitos que antes não havia visto, você vai a lugares e na saída tem a estranha sensação de que não vai mais voltar, porque de repente aquilo não faz mais parte de você, tudo sempre passa e muda, somente o que fica são os conceitos básicos, as histórias rememoradas, a estação preferida, logo você irá perceber que todos os dias são um novo começo, e uma nova queda!




L.E.Haubert

domingo, 18 de setembro de 2011

Pensamentos!

Fazia calor, as ondas sonoras me irritavam tal qual o deslizar do grafite pelo papel, não possuo certeza se estou completamente lúcida, sei que estudei, isto de repente não me parece suficiente, nada nunca o é. É nesse desejo de uma pequena história nova que me refaço em cinzas, a companhia humana me perturba. Suporto o necessário, busco algum de meus personagens, todos se foram, os que estão recusam-se a falar, não crio histórias, as reconto da maneira que recebo, cruas, sem polias, aguardo a boa vontade de algum deles, até mesmo da morta Rowena. Acabo desistindo, entro no carro, deixo-me levar, inerte, inconscientemente chegam as lágrimas, por derrota, quais tive, quais terei, essa sensação inútil é devastadora, me apavora, queima meus dias, porém a convida para ficar, peço desculpa aos positivistas e românticos, não conheço outras formas de sobrevivência se não esta, é preciso que parte de mim esteja mergulhada em trevas para levantar na próxima manhã. Não desfruto de alegria, mas sim uma serenidade que só obtenho ao contemplar meus verdes campos, quais não me pertencem, se travo os olhos vejo-os como meus, pois então que assim seja.
A nostalgia por meus desejos impossíveis me consome, o sobrenatural me atrai e quando começo a voar desata-me, imagino o dia de amanhã, quase sofro de náuseas. Adorava as manhãs regadas a vastos conhecimentos, e nestas odiava estar presa, a liberdade é uma das poucas coisas quais realmente conjuntaram meu corpo a alma. Volto a transitar em minhas idiotas sanções, decido cortar o que me faz bem, meio minuto após desfaço a ordem, caso-me com o acaso, o coração pena nesse instante, dispenso os auxílios que necessito, entre tristeza e outra sobrevivo a tarde, a noite e o resto da vida.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Antes de morrer...

O tema pode parecer até meio clichê, no entanto prosseguirei. Está um torpido vento abafado lá fora, as árvores estão dançando e eu decido se estudo química ou não, obviamente se você está lendo este texto no momento já descobriu o que fiz. Uma idéia martelou todos os minutos deste dia em minha mente, a recordação da história de um livro que há meses li. Antes de morrer de Jenny Downham, estava a me torturar. Imagine saber que lhe restam poucos meses de vida? Talvez dia, ou possíveis horas, o que realmente teria de ser feito, desfeito, reformulado? Não, não estou falando de nossos planos mirabolantes de conhecer todos os países que desejamos, torrar os cartões de crédito ou qualquer estória dessa laia. Escrevo sobre uma situação possivelmente real, a quem você diria eu te amo? Quantas vezes foi capaz de o dizer? Você simplesmente se arrependeria dos erros, ou os encararia como humanos? Prosseguiria em seu curso, faculdade, escola, trabalho sabendo que seu coração poderia não bater mais? Gostaria de dizer, quais seriam minhas nobres ações, porém vejo impossível fazê-lo, porque ao fundo jamais saberemos nossa consciência até chegar o ponto exato, e quando nele estivermos não teremos prováveis tempos para discussões tolas. Mas e você, o que faria? Até onde iria e por quem?

sábado, 23 de julho de 2011

E então?

Descobri ontem a noite uma realidade incomoda, não é o medo pelo futuro e dele que tanto me atormenta, mas sim minha louca ansiedade, desejando que tudo saia corretamente, da maneira que planejado, coisas simples me causam arrepios, volte meia tenho aquela sensação que as coisas podem simplesmente fazerem puf! e sumirem, então ponho-me a pensar e se amanha acordar e não conseguir mais escrever? Provavelmente ficarei em crise, e se o puf! for com minhas esperanças? O que acontece dentro de nós que causa esse pequeno estalo? Eis que gostaria das respostas! Pensando em um post diferente dos demais, deixo para vocês a questão qual me atormenta, e se o puf! acontecesse a vocês, o que abririam mão ou perderiam?

Lembrete :)

LIVRO ESCRITO SÓ POR MULHERES
MARCA ANIVERSÁRIO DE EDITORA
Livro com contos e crônicas de 30 escritoras será lançado
como parte das comemorações pelos sete anos da Andross Editora
Para quem não lembra, ou acompanha o blog, estou publicando porque terei um conto neste livro :D
Pra quem estiver interessado em ir:
Lançamento do livro Elas Escrevem - Volume II e aniversário da Andross Editora (Entrada grátis)
Data:
06/08/2011, das 15h às 20h
Local: China Trade Center- Rua Pamplona, 518, São Paulo, SP (Próximo à estação Trianon Masp do metrô)
INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA:
Cesar Mancini
(11) 6731-6191
(11) 8217-6191
cesar@andross.com.br

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Retorno!

Estou aqui, acolá, parto-me em seis, não, seis não, pois não há de ser este meu número de sorte, devo ser treze, sim, trezes, número esplêndido de grande sorte. Afinal o que é sorte? Ah agradar-me-ia sua real existência caso o fosse, assim, apenas por conseqüência, perdões, sei que não ouso fazer sentindo. Ponho-me a questionar, e se Kassandra tivesse feito uma premonição favorável? Páris jamais teria raptado Helena, e Meneslau, ah, este não cruzaria o mar por sua média honra, caso isto tivesse mesmo ocorrido Troia teria realmente sobrevivido além dos tempos?
Ora, pobres gregos, minhas consciência não existiria, os romanos haviam de ser derrotados, Aquiles perder-se-ia em qualquer leito descamado, Apolo reinaria junto a sua bola de fogo poente a cada manhã. Oh meu doce paganismo, amordaça, tece, recria, monte nossa imaginação, espero até hoje por notícias das Valquirias, onde estas foram?
Mas, cá estou, irrito-me, escrevo, apago, retorno a antigas crenças e palavras, para que? Para nada, ou seria para cumprir meu papel na existência. Apaixono-me por um narciso irracional, que em planta não se transformará por aurora do destino, logo se desfalece de um sonho, vaga lembrança, “dolces” desejos. Gostaria poder embriagar-me com cafés e chocolates, aumentar a endorfina, reclamar sobre a rainha violeta, obviamente se a mesma deseja ouvir-me.
Hora, como diz não conhecer a rainha violeta, há ela de ficar carrancuda por tais dizeres, cobrar-me-á providencia que não posso tomar, dou uma dica: procure em tocas de seu jardim.
Quem estabeleceu ao mundo que ouro valia mais que prata? Ou que roupas, são simplórias roupas? Escolhe-lhe, não, me perdoe mais uma vez, meus vícios acabam por me derrotarem a cada metro de minha própria emboscada, pois bem, o que escrevia outrora?
Ah, recordo-me vagamente ia reclamar, afinal bem o gosto, disso morro a séculos, alias o mal do século é a falta de criatividade, a imaginação que se permite derrotar tão facilmente pela racionalidade, crianças peraltas, nem tão peraltas assim, a falta de contado, de ver-nos face a face, assistir a aurora boreais.
Sinto vontade de que leiam minhas vãs perdições, invejo os pintores por suas obras que perduram mais séculos, que minhas gastas folhas de papiro, contudo nem sei porque lhes conto de pintores e minhas invejas!
Confundo-me, assim, sozinha, volte meia meu rosto jovem mostra a alma velha que nele se esconde, meu espírito reclama pelo corpo de barro aprisionado banhado no luar de cristal. Adeus a ti, a mim, a vós ou qualquer outra pessoa de gramática, espero ver-te em breve, que acompanhes minhas loucuras, perca-se em meus devaneios, gradue-se em precipícios e padeça de auroras. Sim, doces auroras e números treze.

domingo, 8 de maio de 2011

Cinzas

Estava quase amanhecendo e do outro lado do tropico de câncer já deveria estar acontecendo um equinócio, o céu deste lado da América estava encoberto por nuvens que apontavam a possibilidade de um dia chuvoso, a névoa deixava o vidro do carro completamente embaçado. Os limpadores de para-brisa já não limpavam. Já eram quatro horas da manhã.


Passei a noite em claro dirigindo, o volante pesava em minhas mãos. Liguei o rádio, mas a sua programação estava destinada a um country que me aborrecia, tentei trocar diversas vezes de estação. O rádio apenas produziu alguns chiados depois de muitas tentativas. Abruptamente senti uma pressão, o carro parou bruscamente, o aquecedor desligou e os barulhos cessaram.


- Droga – murmurei irritada, esmurrando o volante, sem perceber acertei a buzina e o motorista que passava pela rodovia olhou-me com curiosidade.


Catei minha blusa de frio jogada no banco de trás do new beetle abri a porta e desci cuidadosamente, sem produzir nenhum ruído. A névoa envolveu-me quase de imediato, já não era capaz de ver a própria estrada cinzenta, caminhei alguns passos no rumo que acredita ser o acostamento.


Tateei o celular no bolso da calça, não havia nenhum sinal, cruzei os braços e comecei a andar sem ritmo ou vontade pelo frio, alguns motoristas que passavam, questionavam se eu desejava uma carona, educada, eu respondia que não, seguindo o caminho. Mais tarde compreendi o fato de que poderia estar no carro de qualquer um.


A névoa ia se desfazendo aos poucos de forma egoísta, ela desaparecia dando espaço para um sol radiante, que queimava e fazia derreter pequenos flocos de gelo na encosta da pista. A luz clareou a floresta ao redor da estrada, observei uma cabana com cores desbotadas e aparência de abandonada.


Meus pés tomaram a pequena trilha que levava até a casa, a cada passo reduzia a distancia e aumentava meu receio. Minha mente arquitetava uma simples rota, eu deveria ir até lá pedir ajuda, caso não obtivesse esperaria por horas e com alguma sorte a linha de celular voltaria. Chegando próxima a cabana deparei-me com as janelas abertas e uma música suave. Olhei para o chão. As folhas arrastaram-se como se dançassem, bati na porta e aguardei pela resposta, porém ela não veio.


- Tem alguém ai? – questionei, subindo os degraus da escadaria que faziam ruídos assustadores.


Caminhei pela área esperando que alguém saísse de dentro da cabana, aguardei em vão. Olhei pela janela, mas o vidro estava embaçado pelo frio e não vi nada. Andei na direção da porta e bati de novo, até cansar, foi então que decidi adentrar.


Assim que coloquei a mão na maçaneta ela girou e um estalo se misturou com o som da música vindo do interior do recinto. Assustei-me pulando para trás e tirando a mão da porta, que se abriu dando lugar a um rosto desconhecido, mas encantador.


- Posso ajudar-lhe senhorita? – a voz soava calma e vinha do desconhecido. Seus olhos eram azuis como um dia de primavera, seus cabelos tinham uma tonalidade castanho-avermelhada. Ele era alto e belo.


- E...E...Eu preciso de ajuda. – murmurei incoerentes as palavras sem conseguir raciocinar, fitando-o. O desconhecido emanava algo que me fazia sentir que estava em queda livre – Meu carro quebrou na estrada, não encontro sinal no celular, tem um telefone que possa me emprestar?


O homem sorriu gentil, tocando minhas mãos e beijando-as educadamente.


- Desculpe não tenho telefone, porém posso ajudá-la entre, por favor.


A resposta de meus pensamentos era clara, bastava eu rejeitar o pedido, contudo meus lábios se contorceram e sussurraram um “sim”. O homem puxou-me cuidadosamente para dentro da casa, mantinha em sua face um sorriso, minhas ações começavam lentamente a afastarem-se dos meus desejos. Ao adentrar a casa assustei-me, ela era maravilhosa. As paredes tinham papeis bordô, não havia divisões o que tornava todos os cômodos visíveis.


- Não me disse seu nome – falei sendo surpreendida por minha voz tão normal.


- Hector.


Hector, repeti mentalmente. Observei que o homem não possuía sotaque americano, isto chamou minha atenção, o lugar era uma região pouco habitada, mas os moradores eram reconhecidos pelo sotaque.


- Bebida?


Hector questionou-me, assentando-se em um dos sofás-cama, que compunham os moveis da sala. Reparei em suas vestimentas. Uma camiseta de gola V azul marinha Calvin Klein, combinando com calça jeans escura e sapatos marrons.


- Não! Obrigada! Preciso ir.


A rapidez dos atos do homem me perturbou, Hector mexia-se numa velocidade inumana, logo nos encontrávamos frente a frente.


- Está tudo bem está segura – Hector cantarolava as palavras em meu ouvido. Os olhos se mantinham fixos, as pupilas dilatavam-se e foi naquele momento que perdi a razão e meu raciocínio lógico pareceu não funcionar mais.


- Sim está tudo bem, estou segura aqui.


Repeti as palavras como um robô. Hector tocou minhas mãos vagarosamente testando minhas reações. Seus olhos eram carregados de emoções e infortúnios. Ele me abraçava deixando que suas mãos tocassem meu corpo fazendo caricias suaves. Aqueles lábios me beijavam sutilmente no pescoço que me faziam perder a “linha”.


- Isto não é certo. – murmurei.


- Está tudo bem – Hector novamente sussurrou. Senti meu corpo se entregar. O local parecia rodar, a sensação era de estar embriagada. Ele tocou levemente minha pele e uma corrente percorreu nossos corpos, fui incapaz de impedi-lo permitindo a ele que retirasse minha blusa.


Hector. virou-me para olhar-me de frente, suas mãos hábeis retiraram uma mexa de meu cabelo solto caindo sobre meus ombros, nossos olhos se fecharam lentamente. Senti aqueles lábios vermelhos nos meus, e nossos corpos colaram-se como em uma dança ancestral.


♥ ♥ ♥


Meus olhos reabriam-se, a “desorientação” era a palavra de ordem. Estava deitada sobre a cama de casal em um canto escuro, apenas de roupas íntimas e sem capacidade de coordenar minha memória. Minha mente demonstrava ter sofrido um colapso. O máximo que pude recordar era de olhos azuis claros e alguns sussurros provocantes.


Coloquei a mão na cama buscando apoio para levantar-me avistei quase de imediato minhas roupas jogadas ao chão. Levantei, peguei e busquei o odor de algum perfume desconhecido, porém tudo que encontrei foi meu perfume de lavandas Elas não estavam amassadas e não havia ninguém no lugar exceto eu.


- Olá? – perguntei após alguns minutos quando já estava vestida novamente.


Andei curiosa pela casa ainda que cercada de medo e dúvidas. Nada! Na casa prevalecia a aparência de abandono. Busquei meu celular, não encontrei. Caminhei lentamente até a janela onde estava um papel pequeno com os seguintes dizeres:


Foi um imenso prazer conhecê-la.


Sem nome, sem assinatura, sem data. Qualquer informação era a mim recusada. Encontrei meu relógio sobre a mesa da cozinha e o coloquei rapidamente no braço. Tirei o bilhete da janela e o segurei firmemente, então assim ainda envolta em sentimentos de medo e angústia sai da casa, ainda cambaleante. Segui a trilha que me destinava direto para a estrada, o sol ainda estava nascendo, os carros passavam apressados foi quando vi meu carro estacionado no mesmo local me virei para trás olhando a velha cabana em silêncio.


Uma senhora vinha andando pelo acostamento, trazia flores vestia-se com roupas de listras prestas e brancas, em seu rosto não havia felicidade nem sequer tristeza, apenas a indiferença. Ela olhava na direção da modesta casa.


- Desculpe incomodar-lhe senhora, mas pode me informar quem mora ali?


A senhora fitou-me assumindo uma tristeza até então desconhecida.


- Meu filho morava ali ele morreu há catorze anos minha jovem.


Aquelas palavras paralisaram. O medo dominava e minhas reações estavam mortas. Agradeci, fitei meu relógio no pulso como se o tempo não houvesse passado ainda marcava-se quatro horas da manhã. Abri a mão que carregava o bilhete pregado na janela, e a surpresa me devastou, em minha mão não havia mais bilhete, somente CINZAS.

Último Guerreiro

As sensações térmicas o tornam desconcertado. Próximo a fogueira ele se impressiona com a noite enluarada. Nosso herói tenta resistir a mais sutil e encantadora das canções, tem uma batida leve e pode ser carregada por um longo período inconstante de graves e baixos. Ele sentia o medo fluir como drogas em suas veias. Sempre próximo de si descansa na bainha sua espada com o fio prateado assustando até mesmo o maior e mais corajoso dos seres. Uma vez em conjunto eles derrubaram batalhões, salvarão inocentes e embebedaram-se de seu código de honra e glória, porém agora tudo perece. Stark não possui mais nada daquilo que valorizava o cavaleiro recua mata adentro assustado como uma presa de um lobo das altas montanhas da desconhecida América. Suas feições são duras e deixam transparecer aquilo que um dia fora chamado de pesadelo, pois nem todos os amigos do mundo poupam-lhe da solidão, nem todas as mais belas mulheres são capazes de despertar seu coração frio e apagado e sua força sequer existe. Stark hora homem, hora herói passa por uma transformação se tornando em um espectro noturno de sua angustia. Seu próprio cavalo o observa amedrontado, seu rei caiu e seu povo amante está morto. A desolação surge do último inimigo. Os passos fazem barulho o denunciando. Stark desembainha a espada apressadamente realizando uma prece silenciosa para que suas mãos sejam guiadas pelo criador bondoso e benevolente.
O homem que encontra por inimigo possui feições cruéis e dissimulada, emana de si a impureza de um homem corrupto, pois há quem diga que a raça dos homens um dia já foi pura. As espadas estão levantadas, os pássaros voam rumo ao céu gralhando assustados. Os pés de ambos movem-se como em uma dança com a mais perfeita sincronia. E o som do metal encontrando-se finalmente. As espadas colidem uma com a outra de lado e do outro com maestria os cavaleiros giram seus corpos tornando a atacar, mas ei que teus olhos lhe enganam sem que prevejas e nosso cavaleio erra o golpe fatal selando de tal forma sua sentença de morte. Seus joelhos se dobram e assim em meio tão simplório que o ultimo golpe desfaleceu. O verde vivido cede seu lugar a escuridão e naquela noite a rainha branca a doce lua chorou com postura pela morte de seu ultimo filho na terra, e a história ah esta há de ser repetida milhares de vezes por lendas vos bardos, pois ainda que um esteja de pé restará esperança.

Sentimentos

O vento percorre a planície carregando todas as imaturidades. As folhas assobiam pelo caminho brincando umas com as outras. Os espíritos percorrem as vastidões entre as solidões e de repente lá estão eles velados em seus próprios sonhos permitindo-se viver, doar-se um para com o outro. Ele com toda sua jovialidade e maledicência, ela com sua ingenuidade e o sabor da realidade para provar. Do céu os deuses invejam pela falta de tempo que ambos têm, pela fragilidade humana que é cobiçada. Quando se tem a eternidade à vida passa a não ser nada além de uma flor sempre a espera do sol para desabrochar. Eles trocam caricias ingênuas e seus lábios volte e meia agem como imãs aproximando-se com tamanha intensidade. O tempo corre sem importar-se com eles é provável que anos se passem e o amor deles desapareça lentamente como neve derretendo-se, porém há também a possibilidade de que o perecer seja eterno e aqueles corações jamais se desliguem. Ao final não importará qual ínfima opção o destino optou, porque por enquanto assim com as ninfas ao redores tudo para eles é apenas o nada.

Eternamente Amigos!

A madrugada desmanchava-se triunfante no Oriente carregada de seus ares rebeldes. A janela aberta induzia-me ao vento livre, o cheiro do campo, aos erros joviais. Liguei a televisão tentando fazer minha mente concentrar-se no real do pequeno quarto com paredes levemente amareladas. Os canais voavam sem informação uteis o controle moribundo caiu de minha mão produzindo um ruído.
Ouvi ao longe o “garoto” em seu cercado de doma relinchando. Sorri ainda que contente. Coloquei minhas botas com canos medianos que cobriam parte da calça jeans velha que vesti rapidamente. Em silencio desci as escadas, abri a porta da casa que rangia reclamando. Tive de chantagear nosso velho e gordo cachorro Toddy com um grande osso.
Corri pela enorme distancia que me separava da doma. A casa agora parecia assustadora com toda sua camada de silencio e áurea misteriosa. Assim que ele me viu relinchou.
- Calma garotão – disse baixo escondendo um riso esperando que ele me ouvisse e não causasse maiores barulhos evitando de acordar assim meus pais.
Meu grande cavalo Mustang aproximou-se. Estiquei a mão em um gesto de boas vindas. Stark cheirou-me então pareceu me reconhecer, pois esfregou seu rosto em minhas mãos como se fizesse um sim com a cabeça.
- Senti sua falta Stark – o acariciei por um tempo tentando aquietá-lo – faça silencio agora sim, vamos dar um passeio.
Ele produziu outro barulho que interpretei novamente como um sim desta vez mais baixo do que o natural. Imaginei se ele realmente compreendia minhas palavras. Abri o celeiro cuidadosamente, tateei a lanterna que carregava sempre em meu bolso do moleton. Passei por alguns cavalos em seus estábulos repousando calmamente.
Corri até o final pegando uma corda fácil de doma, certifiquei-m e de ter fechado bem a porta. Olhei novamente tendo certeza que Charles (meu pai) não havia acordado. Abri o cercado chamando Stark. Ele galopou contente até mim. Selei-o de forma improvisada na escuridão noturna. Acariciei seu dorso já montada sobre ele.
- Vamos lá Stark, confio em você amigo!
Segurei as rédeas controlando sua velocidade e de repente o vento estava em meu rosto parecia entorpecer-me. O frio deixou minha pele arrepiada apesar do grosso moleton preto que usava. Hesitei por um segundo em avançar, mas o amanhecer já mostrava seus lindos raios. Stark galopou mais rápido.
Nossa doce liberdade. A noção de tempo foi distorcida tomada pelas ondas de tempestade, direcionei Stark até o que parecia uma hostil caverna. Sentei-me debaixo da pedra gélida. Stark ficou abaixo da cobertura próximo a mim como meu guardião. Ele olhava compenetrado para o nada.
- E agora? – perguntei alisando sua longa crina.
Ele ergueu a longa cabeça a abaixando depois como se me disse sinto muito. Naquele momento compreendi a ligação que nos unia era muito além do físico homem/animal tínhamos almas selvagens, indomáveis que padeciam do sonho de um mundo próprio. Ali parados na imensa tempestade e cercados pelos raios de luz escuros nos tornamos eternamente amigos.
- Vamos garoto, a chuva já está se esvaindo.
Ele fez um breve sim novamente com a cabeça. Ri suavemente. Montei novamente nele e cavalgamos juntos até que o sol beijasse a terra de forma delicada.

Conquista!

O e-mail chegou ontem exatamente as 12:22 e eu mal podia acreditar. Há algum tempo atrás mandei uma pequena prosa para tentar a chance de ser escolhida e publicada no livro Elas escrevem da editora Andross, e eis que eu acabo por ser aprovada e meu texto irá participar do volume 2. É uma alegria imensa já que isto parece ser o começo do meu sonho, agora aguardo anciosa para ver o livro, porque quando isto acontecer tenho certeza que vai ser o dia mais emocianante da minha vida!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Crônica: Abracadabra!

E lá na estante estão eles silenciosos e cheios de segredos!
Tantas capas coloridas e algumas com fotografias, encadernados ou mesmo soltos, repletos de poeira ou bem limpinhos, com letras grandes ou miúdas. É engraçado quando a gente entra em uma livraria e todas aquelas prateleiras lotadas de livros parecem gritar chamando nosso nome, é como se cada uma implorasse para ser lido e há quem diga que ouve mesmo o chamado.
Falar o que então dos atendentes de livrarias? Pessoas simpáticas que quase sempre usam óculos e parecem terem lido metade da mercadoria que tentam vender, a outra metade está na lista de metas e eles também conhecem!
Você compra o livro após muita indecisa, a janela da sua casa está aberta e o tempo ameaça com chuva, esquenta aquele cafezinho e deita no sofá abrindo as primeiras páginas ainda brancas. De repente você sente estar voando entre as palavras cada uma ganha vida e são carregadas das mais variadas emoções. Em um instante apenas podemos nos transportar a outro país ou até mesmo uma época diferente.
A era medieval ressurge com um piscar, entramos em guerras, apaixonamo-nos, choramos com mortes e vibramos com vitórias que sequer nossas são. Somos enfeitiçados através das páginas por “magos” secretos que escondem suas almas em letras.
Os autores são como chefes de uma grande cozinha preparam cada oração com cuidado, escolhem os enredos com dedicação de quem faz uma boa cobertura de bolo e ao final acrescentam a pitada principal recheando de personagens intrigantes. E assim eles mostram um pouco de si de forma sublime.
As páginas voam entre as mãos com rapidez e uma vez ou outra soltamos uma risada por uma piada que somente nós ouvimos ou melhor lemos e por mais que se deteste a hora chega e somos obrigados relutantes a deixar o maravilhoso mundo literário. Desta forma os dias passam arrastados cheios de vida e carinho feitos apenas por palavras. Nossas caras palavras que formam os sagrados livros. Sonhe acordado você também, leia um livro, permita-se transportar-se!

domingo, 13 de março de 2011

Olhos de Guerreira


O vasto campo imenso há minha frente era carregado por ondas de guerreiros trajando armaduras pesadas, calorosas que machucavam suas peles. Seus olhos eram intensos e difundiam milhares de emoções, era como uma grande cachoeira juntando-se a outras quedas d’água. De um lado os imponentes soldados que lutavam por nada mais que progresso no fundo nenhum deles desejava estar ali, nenhum deles gostava disto todos estavam afundados em suas próprias ignorâncias e desejos sedentos de uma melhora de vida. Mas eles estavam enganados, a melhora não iria vir através da economia com bolsos cheios porque na verdade eles eram vazios por dentro como um jarro sem liquido. Nenhum dinheiro do mundo iria os melhorar, porque eles não tinham alma.

Escondido atrás de uma árvore meus olhos curiosos buscavam alguém que pudesse ser salvo, alguém puro que minha flecha não pudesse atravessar. Meu corpo estava coberto por uma roupa feita por nós mesmo, tecidos macios e tingidos naturalmente nossos rostos adquiriram desenhos em formas de espirais que desciam por nossas colunas e tocavam nossos braços. Eram os desenhos que nos tornavam diferentes. Não usávamos armaduras, e não tínhamos armas de fogo, canhões ou qualquer tipo de arma desenvolvida. Pelo contrário usávamos arcos e flechas e espadas. Talvez a derrota fosse certeira, talvez fossemos diminuindo pouco a pouco ou talvez o mais antigo espírito guerreiro sobressai-se provando sua força. Eles marchavam enfileirados, com hinos estimuladores e tambores que aparentavam dar uma trilha sonora a cena.

Talvez fosse mil, talvez mais. Nós éramos duzentos apenas fora de formação e sonhadores, alguns sobre árvores outros camuflados na mata. Em cada face nossa eu via a esperança e o desejo de felicidade e principalmente a coragem porque embora guerras não fossem a melhor forma de julgamento elas ainda reinavam. Sorri sentindo-me encorajada. Posicionei a flecha entre meus dedos, busquei um alvo e a disparei. Ela saiu rápida e causou impacto.

E isto foi apenas o começo de uma grande guerra, que gerou uma enorme mudança que ainda nos rege. Os anos podem ter passado as pessoas e guerras mudado, porém no fundo ainda estamos sedentos de guerras e lutas pela liberdade.

Sensações


Fiquei sentada olhando através do vidro da janela a nevasca que caia lá fora devia fazer em média -5º Celsius e qualquer um que saísse naquela nevasca restavam duas opções ou morrer congelado o que era quase preferível levando em conta a segunda opção ser atacado por algum animal.
O silêncio confortável da casa era submetido às leves ondas de frio que passavam entre as frestas da janela e da porta e tomavam-me nos braços tão gentilmente que quase me arrisquei a perder a consciência e sair na nevasca que aparentava ser tão gentil.
De repente um fogo apossou-se de mim, não um fogo comum como algumas pessoas com mentes pecaminosas podem entender, mas um fogo que queima como quando você coloca a mão sobre a chama do fogão, o fogo começou gentilmente no abdômen e espalhou-se pelo corpo, cai deitada no sofá-cama sem poder me mexer.
Assim como ele veio ele se foi, sem mais nem menos sem pedir permissão ou deixar qualquer rastro consegui mexer de leve os dedos da mão tentei levantar-me sem pressa, foi quando cai deitada de novo, uma sensação de gelo tomou-me.
O gelo assim como o fogo queima sem dó, sem resquício de humildade ou de carinho, ele simplesmente queima sem importar-se com seus sentimentos, seus agouros suas maledicências, ele queima de uma forma torturante sem graça ou doçura, de qualquer modo ele apenas queima.
Logo a sensação passou pensei em levantar-me, entretanto a lógica matemática impediu-me dizendo por cálculos médios que em pouco tempo mais sensações dessas estavam por vir, pensei em gritar e chamar Marco meu noivo, mas duvido que de algo adianta-se, pois ou ele estaria muito longe sem me ouvir ou minha voz iria de falhar.
A nova sensação que veio trouxe alivio era apenas uma onda de arrepios todos os pelos de meu braço se eriçaram como se pressentissem um mau agouro, fechei os olhos já cansada de olhar o teto branco da casa, apesar de apenas arrepios meu coração se encheu de um medo.
Perdi a consciência aos poucos, sem saber direito o que acontecia ao redor tudo ficava preto e algumas vezes apareciam bolas coloridas como aquelas quando tem algum problema com a televisão sabe? Minha respiração estava delicadamente cessando.
Entre uma ultima ação que fui capaz de fazer, consegui abrir os olhos.
Assustei-me, pois eu não estava em casa muito pelo contrário eu estava deitada no meio da nevasca agora as sensações começavam a fazer sentindo, minha roupa estava gelada e quase era insuportável ficar ali, tentei gritar, clamar, cantar, recitar, me expressar de qualquer forma, mas não consegui.
Eu não estava dentro da casa, nunca estive eu apenas via a casa do lado de fora e tudo não passava de uma boa ilusão.
Já não tinha mais forças então concordei em entregar-me a bondade da deusa da neve que esperei que seu coração não estivesse congelado como o meu estava ficando, apenas rezei de leve e coloquei minha cabeça na branquidão deixando ela me envolver novamente como um manto, outra vez perdi a consciência ou até não conseguir restabelecerá mais.

Desejo do dia: Tempestade


O sábio teme o céu sereno; em compensação, quando vem a tempestade ele caminha sobre as ondas e desafia o vento. - Confúcio

contando história!


Pelo que se sabe o arco e flecha é usado pela humanidade desde 20.000 AC, um dos primeiros povos que podemos citar que usaram este instrumento para a caça e a guerra foram os egípcios em mais ou menos 5000 anos. Já foi encontrado por todo mundo vestígios da utilização do arco e flecha a mais recente descoberta foi na Austrália aonde os pesquisadores achavam que não havia sido usado, o que se tornou um mito com o encontro de algumas peças. Antigamente os arcos dependendo dos povos eram construídos de madeira, chifre, e tendão muitos povos usavam em guerras onde em uma carruagem levavam um arqueiro, um lanceiro e o condutor. Algumas das civilizações antigas que usaram foram os chineses, assírios e os hititas. Mais tarde o arco passou a ser utilizado pelos gregos mais para façanhas de caça do que de guerra como prevalecia nos tempos mais sorrateiros. Ainda mais tarde o arco vem a ser utilizado por diversos povos algumas pessoas viram até lenda como o famoso Robin Hood, na idade média o arco passa a ser utilizado para a guerra também principalmente o longbow arco de fácil construção que consegue atingir grandes distâncias. Em 1900 na cidade de Paris atual capital da França, o arco e flecha passa a ser um esporte praticado em olimpíadas, em 1908 mulheres disputaram as olimpíadas de tiro com arco (foto acima). Hoje em dia o arco e flecha é utilizado como hobbie ao atirar em um alvo ou para caça. Espero que tenham gostado do resumo da história, e que procurem mais sobre o esporte vale a pena, um esporte que une concentração, disciplina e mira. bonne nuit .

O último suspiro


O vento cantava dentre as árvores que balançavam seus galhos violentamente enraivecidos enquanto o dia se esvaia pelo crepúsculo de mais um final de tarde, meus passos eram abafados pelas folhas secas do chão de final de outono e cada mínima ação era perigosa, estava completamente perdida no meio daquela floresta maldita.
Escorei-me em uma árvore grande que encontrei pelo caminho ela parecia tão velha quanto uma árvore podia ser minha respiração estava alterada alguns metros eu caminhava outros eu corria o medo tomava conta de meu corpo abraçando-me de uma forma tão gentil quanto a morte.Deixei meu corpo mole e ele escorregou-se pela árvore senti minha blusa de frio rasgar-se e um cheiro peculiarmente quente invadiu o pequeno local que estava, afastei-me assustada da árvore quando meus olhos recaíram pude ver sangue. Havia muito sangue na árvore.

Comecei a correr com medo do que pudesse ser minha imaginação fúnebre que estava atacando outra vez, o ar fugia de meus pulmões e o oxigênio negava-se a entrar em minha mente, ouvi passos quebrando folhas, minha visão se focou ao meu lado e vi um vulto correndo.Parei bruscamente o medo invadiu-me mais que nunca não tinha para onde correr a adrenalina caiu como uma droga em minhas veias virei-me em um giro completo buscando qualquer coisa e apenas passos fui capaz de ouvir.

Voltei a correr desesperada com os cabelos voando no rosto, quando tropecei em uma pedra que não tinha visto, um grito ecoou ao longe e de uma certeza eu tive ele não era meu, alguém ali estava morrendo de forma dolorosa e a única certeza era que eu seria a próxima vitima.Comecei a rastejar no chão, uma dor aguda tomou meu corpo saia sangue de meu tornozelo ele provavelmente estava cortado e fraturado, esse poderia ser meu fim os gritos cessaram as árvores pararam de balançar o vento não soprou mais e os passos pararam de repente.

O calor de um corpo vinha de trás do meu, assustada com medo e sangrando virei-me mediocremente um homem estava parado com a roupa toda ensangüentada e na sua mão havia faca, senti algo cortar-me antes de um último suspiro e depois disso nada mais fiquei sabendo.