segunda-feira, 21 de março de 2011

Crônica: Abracadabra!

E lá na estante estão eles silenciosos e cheios de segredos!
Tantas capas coloridas e algumas com fotografias, encadernados ou mesmo soltos, repletos de poeira ou bem limpinhos, com letras grandes ou miúdas. É engraçado quando a gente entra em uma livraria e todas aquelas prateleiras lotadas de livros parecem gritar chamando nosso nome, é como se cada uma implorasse para ser lido e há quem diga que ouve mesmo o chamado.
Falar o que então dos atendentes de livrarias? Pessoas simpáticas que quase sempre usam óculos e parecem terem lido metade da mercadoria que tentam vender, a outra metade está na lista de metas e eles também conhecem!
Você compra o livro após muita indecisa, a janela da sua casa está aberta e o tempo ameaça com chuva, esquenta aquele cafezinho e deita no sofá abrindo as primeiras páginas ainda brancas. De repente você sente estar voando entre as palavras cada uma ganha vida e são carregadas das mais variadas emoções. Em um instante apenas podemos nos transportar a outro país ou até mesmo uma época diferente.
A era medieval ressurge com um piscar, entramos em guerras, apaixonamo-nos, choramos com mortes e vibramos com vitórias que sequer nossas são. Somos enfeitiçados através das páginas por “magos” secretos que escondem suas almas em letras.
Os autores são como chefes de uma grande cozinha preparam cada oração com cuidado, escolhem os enredos com dedicação de quem faz uma boa cobertura de bolo e ao final acrescentam a pitada principal recheando de personagens intrigantes. E assim eles mostram um pouco de si de forma sublime.
As páginas voam entre as mãos com rapidez e uma vez ou outra soltamos uma risada por uma piada que somente nós ouvimos ou melhor lemos e por mais que se deteste a hora chega e somos obrigados relutantes a deixar o maravilhoso mundo literário. Desta forma os dias passam arrastados cheios de vida e carinho feitos apenas por palavras. Nossas caras palavras que formam os sagrados livros. Sonhe acordado você também, leia um livro, permita-se transportar-se!

domingo, 13 de março de 2011

Olhos de Guerreira


O vasto campo imenso há minha frente era carregado por ondas de guerreiros trajando armaduras pesadas, calorosas que machucavam suas peles. Seus olhos eram intensos e difundiam milhares de emoções, era como uma grande cachoeira juntando-se a outras quedas d’água. De um lado os imponentes soldados que lutavam por nada mais que progresso no fundo nenhum deles desejava estar ali, nenhum deles gostava disto todos estavam afundados em suas próprias ignorâncias e desejos sedentos de uma melhora de vida. Mas eles estavam enganados, a melhora não iria vir através da economia com bolsos cheios porque na verdade eles eram vazios por dentro como um jarro sem liquido. Nenhum dinheiro do mundo iria os melhorar, porque eles não tinham alma.

Escondido atrás de uma árvore meus olhos curiosos buscavam alguém que pudesse ser salvo, alguém puro que minha flecha não pudesse atravessar. Meu corpo estava coberto por uma roupa feita por nós mesmo, tecidos macios e tingidos naturalmente nossos rostos adquiriram desenhos em formas de espirais que desciam por nossas colunas e tocavam nossos braços. Eram os desenhos que nos tornavam diferentes. Não usávamos armaduras, e não tínhamos armas de fogo, canhões ou qualquer tipo de arma desenvolvida. Pelo contrário usávamos arcos e flechas e espadas. Talvez a derrota fosse certeira, talvez fossemos diminuindo pouco a pouco ou talvez o mais antigo espírito guerreiro sobressai-se provando sua força. Eles marchavam enfileirados, com hinos estimuladores e tambores que aparentavam dar uma trilha sonora a cena.

Talvez fosse mil, talvez mais. Nós éramos duzentos apenas fora de formação e sonhadores, alguns sobre árvores outros camuflados na mata. Em cada face nossa eu via a esperança e o desejo de felicidade e principalmente a coragem porque embora guerras não fossem a melhor forma de julgamento elas ainda reinavam. Sorri sentindo-me encorajada. Posicionei a flecha entre meus dedos, busquei um alvo e a disparei. Ela saiu rápida e causou impacto.

E isto foi apenas o começo de uma grande guerra, que gerou uma enorme mudança que ainda nos rege. Os anos podem ter passado as pessoas e guerras mudado, porém no fundo ainda estamos sedentos de guerras e lutas pela liberdade.

Sensações


Fiquei sentada olhando através do vidro da janela a nevasca que caia lá fora devia fazer em média -5º Celsius e qualquer um que saísse naquela nevasca restavam duas opções ou morrer congelado o que era quase preferível levando em conta a segunda opção ser atacado por algum animal.
O silêncio confortável da casa era submetido às leves ondas de frio que passavam entre as frestas da janela e da porta e tomavam-me nos braços tão gentilmente que quase me arrisquei a perder a consciência e sair na nevasca que aparentava ser tão gentil.
De repente um fogo apossou-se de mim, não um fogo comum como algumas pessoas com mentes pecaminosas podem entender, mas um fogo que queima como quando você coloca a mão sobre a chama do fogão, o fogo começou gentilmente no abdômen e espalhou-se pelo corpo, cai deitada no sofá-cama sem poder me mexer.
Assim como ele veio ele se foi, sem mais nem menos sem pedir permissão ou deixar qualquer rastro consegui mexer de leve os dedos da mão tentei levantar-me sem pressa, foi quando cai deitada de novo, uma sensação de gelo tomou-me.
O gelo assim como o fogo queima sem dó, sem resquício de humildade ou de carinho, ele simplesmente queima sem importar-se com seus sentimentos, seus agouros suas maledicências, ele queima de uma forma torturante sem graça ou doçura, de qualquer modo ele apenas queima.
Logo a sensação passou pensei em levantar-me, entretanto a lógica matemática impediu-me dizendo por cálculos médios que em pouco tempo mais sensações dessas estavam por vir, pensei em gritar e chamar Marco meu noivo, mas duvido que de algo adianta-se, pois ou ele estaria muito longe sem me ouvir ou minha voz iria de falhar.
A nova sensação que veio trouxe alivio era apenas uma onda de arrepios todos os pelos de meu braço se eriçaram como se pressentissem um mau agouro, fechei os olhos já cansada de olhar o teto branco da casa, apesar de apenas arrepios meu coração se encheu de um medo.
Perdi a consciência aos poucos, sem saber direito o que acontecia ao redor tudo ficava preto e algumas vezes apareciam bolas coloridas como aquelas quando tem algum problema com a televisão sabe? Minha respiração estava delicadamente cessando.
Entre uma ultima ação que fui capaz de fazer, consegui abrir os olhos.
Assustei-me, pois eu não estava em casa muito pelo contrário eu estava deitada no meio da nevasca agora as sensações começavam a fazer sentindo, minha roupa estava gelada e quase era insuportável ficar ali, tentei gritar, clamar, cantar, recitar, me expressar de qualquer forma, mas não consegui.
Eu não estava dentro da casa, nunca estive eu apenas via a casa do lado de fora e tudo não passava de uma boa ilusão.
Já não tinha mais forças então concordei em entregar-me a bondade da deusa da neve que esperei que seu coração não estivesse congelado como o meu estava ficando, apenas rezei de leve e coloquei minha cabeça na branquidão deixando ela me envolver novamente como um manto, outra vez perdi a consciência ou até não conseguir restabelecerá mais.

Desejo do dia: Tempestade


O sábio teme o céu sereno; em compensação, quando vem a tempestade ele caminha sobre as ondas e desafia o vento. - Confúcio

contando história!


Pelo que se sabe o arco e flecha é usado pela humanidade desde 20.000 AC, um dos primeiros povos que podemos citar que usaram este instrumento para a caça e a guerra foram os egípcios em mais ou menos 5000 anos. Já foi encontrado por todo mundo vestígios da utilização do arco e flecha a mais recente descoberta foi na Austrália aonde os pesquisadores achavam que não havia sido usado, o que se tornou um mito com o encontro de algumas peças. Antigamente os arcos dependendo dos povos eram construídos de madeira, chifre, e tendão muitos povos usavam em guerras onde em uma carruagem levavam um arqueiro, um lanceiro e o condutor. Algumas das civilizações antigas que usaram foram os chineses, assírios e os hititas. Mais tarde o arco passou a ser utilizado pelos gregos mais para façanhas de caça do que de guerra como prevalecia nos tempos mais sorrateiros. Ainda mais tarde o arco vem a ser utilizado por diversos povos algumas pessoas viram até lenda como o famoso Robin Hood, na idade média o arco passa a ser utilizado para a guerra também principalmente o longbow arco de fácil construção que consegue atingir grandes distâncias. Em 1900 na cidade de Paris atual capital da França, o arco e flecha passa a ser um esporte praticado em olimpíadas, em 1908 mulheres disputaram as olimpíadas de tiro com arco (foto acima). Hoje em dia o arco e flecha é utilizado como hobbie ao atirar em um alvo ou para caça. Espero que tenham gostado do resumo da história, e que procurem mais sobre o esporte vale a pena, um esporte que une concentração, disciplina e mira. bonne nuit .

O último suspiro


O vento cantava dentre as árvores que balançavam seus galhos violentamente enraivecidos enquanto o dia se esvaia pelo crepúsculo de mais um final de tarde, meus passos eram abafados pelas folhas secas do chão de final de outono e cada mínima ação era perigosa, estava completamente perdida no meio daquela floresta maldita.
Escorei-me em uma árvore grande que encontrei pelo caminho ela parecia tão velha quanto uma árvore podia ser minha respiração estava alterada alguns metros eu caminhava outros eu corria o medo tomava conta de meu corpo abraçando-me de uma forma tão gentil quanto a morte.Deixei meu corpo mole e ele escorregou-se pela árvore senti minha blusa de frio rasgar-se e um cheiro peculiarmente quente invadiu o pequeno local que estava, afastei-me assustada da árvore quando meus olhos recaíram pude ver sangue. Havia muito sangue na árvore.

Comecei a correr com medo do que pudesse ser minha imaginação fúnebre que estava atacando outra vez, o ar fugia de meus pulmões e o oxigênio negava-se a entrar em minha mente, ouvi passos quebrando folhas, minha visão se focou ao meu lado e vi um vulto correndo.Parei bruscamente o medo invadiu-me mais que nunca não tinha para onde correr a adrenalina caiu como uma droga em minhas veias virei-me em um giro completo buscando qualquer coisa e apenas passos fui capaz de ouvir.

Voltei a correr desesperada com os cabelos voando no rosto, quando tropecei em uma pedra que não tinha visto, um grito ecoou ao longe e de uma certeza eu tive ele não era meu, alguém ali estava morrendo de forma dolorosa e a única certeza era que eu seria a próxima vitima.Comecei a rastejar no chão, uma dor aguda tomou meu corpo saia sangue de meu tornozelo ele provavelmente estava cortado e fraturado, esse poderia ser meu fim os gritos cessaram as árvores pararam de balançar o vento não soprou mais e os passos pararam de repente.

O calor de um corpo vinha de trás do meu, assustada com medo e sangrando virei-me mediocremente um homem estava parado com a roupa toda ensangüentada e na sua mão havia faca, senti algo cortar-me antes de um último suspiro e depois disso nada mais fiquei sabendo.