domingo, 13 de março de 2011

Sensações


Fiquei sentada olhando através do vidro da janela a nevasca que caia lá fora devia fazer em média -5º Celsius e qualquer um que saísse naquela nevasca restavam duas opções ou morrer congelado o que era quase preferível levando em conta a segunda opção ser atacado por algum animal.
O silêncio confortável da casa era submetido às leves ondas de frio que passavam entre as frestas da janela e da porta e tomavam-me nos braços tão gentilmente que quase me arrisquei a perder a consciência e sair na nevasca que aparentava ser tão gentil.
De repente um fogo apossou-se de mim, não um fogo comum como algumas pessoas com mentes pecaminosas podem entender, mas um fogo que queima como quando você coloca a mão sobre a chama do fogão, o fogo começou gentilmente no abdômen e espalhou-se pelo corpo, cai deitada no sofá-cama sem poder me mexer.
Assim como ele veio ele se foi, sem mais nem menos sem pedir permissão ou deixar qualquer rastro consegui mexer de leve os dedos da mão tentei levantar-me sem pressa, foi quando cai deitada de novo, uma sensação de gelo tomou-me.
O gelo assim como o fogo queima sem dó, sem resquício de humildade ou de carinho, ele simplesmente queima sem importar-se com seus sentimentos, seus agouros suas maledicências, ele queima de uma forma torturante sem graça ou doçura, de qualquer modo ele apenas queima.
Logo a sensação passou pensei em levantar-me, entretanto a lógica matemática impediu-me dizendo por cálculos médios que em pouco tempo mais sensações dessas estavam por vir, pensei em gritar e chamar Marco meu noivo, mas duvido que de algo adianta-se, pois ou ele estaria muito longe sem me ouvir ou minha voz iria de falhar.
A nova sensação que veio trouxe alivio era apenas uma onda de arrepios todos os pelos de meu braço se eriçaram como se pressentissem um mau agouro, fechei os olhos já cansada de olhar o teto branco da casa, apesar de apenas arrepios meu coração se encheu de um medo.
Perdi a consciência aos poucos, sem saber direito o que acontecia ao redor tudo ficava preto e algumas vezes apareciam bolas coloridas como aquelas quando tem algum problema com a televisão sabe? Minha respiração estava delicadamente cessando.
Entre uma ultima ação que fui capaz de fazer, consegui abrir os olhos.
Assustei-me, pois eu não estava em casa muito pelo contrário eu estava deitada no meio da nevasca agora as sensações começavam a fazer sentindo, minha roupa estava gelada e quase era insuportável ficar ali, tentei gritar, clamar, cantar, recitar, me expressar de qualquer forma, mas não consegui.
Eu não estava dentro da casa, nunca estive eu apenas via a casa do lado de fora e tudo não passava de uma boa ilusão.
Já não tinha mais forças então concordei em entregar-me a bondade da deusa da neve que esperei que seu coração não estivesse congelado como o meu estava ficando, apenas rezei de leve e coloquei minha cabeça na branquidão deixando ela me envolver novamente como um manto, outra vez perdi a consciência ou até não conseguir restabelecerá mais.

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