domingo, 8 de maio de 2011

Eternamente Amigos!

A madrugada desmanchava-se triunfante no Oriente carregada de seus ares rebeldes. A janela aberta induzia-me ao vento livre, o cheiro do campo, aos erros joviais. Liguei a televisão tentando fazer minha mente concentrar-se no real do pequeno quarto com paredes levemente amareladas. Os canais voavam sem informação uteis o controle moribundo caiu de minha mão produzindo um ruído.
Ouvi ao longe o “garoto” em seu cercado de doma relinchando. Sorri ainda que contente. Coloquei minhas botas com canos medianos que cobriam parte da calça jeans velha que vesti rapidamente. Em silencio desci as escadas, abri a porta da casa que rangia reclamando. Tive de chantagear nosso velho e gordo cachorro Toddy com um grande osso.
Corri pela enorme distancia que me separava da doma. A casa agora parecia assustadora com toda sua camada de silencio e áurea misteriosa. Assim que ele me viu relinchou.
- Calma garotão – disse baixo escondendo um riso esperando que ele me ouvisse e não causasse maiores barulhos evitando de acordar assim meus pais.
Meu grande cavalo Mustang aproximou-se. Estiquei a mão em um gesto de boas vindas. Stark cheirou-me então pareceu me reconhecer, pois esfregou seu rosto em minhas mãos como se fizesse um sim com a cabeça.
- Senti sua falta Stark – o acariciei por um tempo tentando aquietá-lo – faça silencio agora sim, vamos dar um passeio.
Ele produziu outro barulho que interpretei novamente como um sim desta vez mais baixo do que o natural. Imaginei se ele realmente compreendia minhas palavras. Abri o celeiro cuidadosamente, tateei a lanterna que carregava sempre em meu bolso do moleton. Passei por alguns cavalos em seus estábulos repousando calmamente.
Corri até o final pegando uma corda fácil de doma, certifiquei-m e de ter fechado bem a porta. Olhei novamente tendo certeza que Charles (meu pai) não havia acordado. Abri o cercado chamando Stark. Ele galopou contente até mim. Selei-o de forma improvisada na escuridão noturna. Acariciei seu dorso já montada sobre ele.
- Vamos lá Stark, confio em você amigo!
Segurei as rédeas controlando sua velocidade e de repente o vento estava em meu rosto parecia entorpecer-me. O frio deixou minha pele arrepiada apesar do grosso moleton preto que usava. Hesitei por um segundo em avançar, mas o amanhecer já mostrava seus lindos raios. Stark galopou mais rápido.
Nossa doce liberdade. A noção de tempo foi distorcida tomada pelas ondas de tempestade, direcionei Stark até o que parecia uma hostil caverna. Sentei-me debaixo da pedra gélida. Stark ficou abaixo da cobertura próximo a mim como meu guardião. Ele olhava compenetrado para o nada.
- E agora? – perguntei alisando sua longa crina.
Ele ergueu a longa cabeça a abaixando depois como se me disse sinto muito. Naquele momento compreendi a ligação que nos unia era muito além do físico homem/animal tínhamos almas selvagens, indomáveis que padeciam do sonho de um mundo próprio. Ali parados na imensa tempestade e cercados pelos raios de luz escuros nos tornamos eternamente amigos.
- Vamos garoto, a chuva já está se esvaindo.
Ele fez um breve sim novamente com a cabeça. Ri suavemente. Montei novamente nele e cavalgamos juntos até que o sol beijasse a terra de forma delicada.

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