sábado, 12 de novembro de 2011

Últimos erros

Ellen estava sentada sob o viés da janela, o rosto de pele pálida e ultrajante colava-se ao vidro gelado, nervoso, que produzia ruídos indefinidos a meia voz. A garganta doía, tal como sua cabeça, as mãos engalfinhavam-se uma nas outras procurando o machucado que a sangrara, não importava ele acabaria encontrando-a. Até ali, ao final de tudo. Lupus adentra a sala pequena e velha, sem carpete ou decoração, os móveis fedem a mofo, nada disto a incomoda, o lobo a cheira então se apoia em Ellen. Sorri. Ela o acaricia sussurrando alguns conformismos mentirosos, até ter certeza de que "ele" está ali. Tom pisa cuidadosamente no chão, a arma inconstante no seu turbilhão de pensamentos, o sangue fluindo pelas veias está fervendo, pulsando, um vulcão seria pouco, sua sede era pouca. Lupus virou para trás, as presas rangiam ao estranho de belas feições tão tipicamente estereotipadas.
- Você demorou - Ellen ironizou numa última ação insolente, se vendo sem a magia das palavras brilhantes que procuravam sempre a eterna posição.
- Você melhorou bastante, admito que não esperava que chegássemos a tanto - Tom apontou a arma para ela - Quais são suas ultimas palavras, minha pequena Ellen?
O apelido a fez desfrutar de uma náusea, respirou profundamente terminando sua oração mental.
- Irá queimar no inferno tanto quanto eu, e estarei lhe esperando lá baixo. A festa não acaba aqui.
O eco atravessado do estouro, a bala fugia na direção da mulher a atingindo ao peito, o corpo caiu sem vida para trás, Tom apoiou-se sobre os joelhos. Lupus havia sumido. Estava terminado, por enquanto, pois Ellen tinha razão e Tom sabia disto tanto quanto a lua que embebedava as nuvens.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

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Costumam dizer que possuo uma fé cega em utopias, agora dispo-me de certos conceitos, fiz provas as utopias serem reais, não sei o que possuo dentro de mim, que quanto mais cresce mais garra obtém e foco, os sentimentos me parecem quase distantes, e pretendo os manter assim, perder meus objetivos seria me perder neste instante.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

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Sinceramente estou em dia sem paciência para as pessoas e o mundo, me irrita as manias estranhas, os trejeitos dos lábios, a voz atiçada, a preguiça que domina meu corpo de forma irreverente, irrita-me os afazeres, a falta da distância do silêncio da chuva e da boa música, meus rigojizos são poucos, lentos, árduos. Desejo mais calma, mais sombras, mais imperfeções, mais tudo que me leve para o menos, substancialmente não vejo alegria e é exatamete isto que me faz continuar.