sábado, 26 de maio de 2012


Porque então não há nada mais útil do que um pessimista. Pelas conversas soturnas, pelos jeitos nostálgicos quase depressivos que quase sempre necessitam de um par de equilíbrio quais juntos então encontram a serenidade. E se ele havia de saber isso, Ah... posso dizer-lhes que na prática não o fez, pela extrema necessidade de solturas e conjunturas menos renomadas, e a desposse do sentido, nu e cru, ali, aos sonhos dos poetas da torre de marfim. E então, pelos epílogos repetidos, pelas roupas já usadas e pelas perguntas já gastas ele acabou por desanuviar-se numa vala qualquer a espera de um salvador, na tórpida irrealidade de sonhos que nem valiam a pena restando unicamente assim.

terça-feira, 22 de maio de 2012

assim,

E fora assim, sobre a brisa constante e soturna da tarde, com os raios de sol aflorados dentre as nuvens deformadas, ela caminhava na estrada batida de barro vermelho semeado com árvores possivelmente mágicas. E se não havia um sorriso no seu rosto, isso nem lhe era importante, havia algo na cabeça, uma certa frieza que a mantinha serena; mais nada. E as roupas certinhas, os pés adocicados, os cabelos castanhos. E dentro daqueles embrenhados de verde, uma vida pulsante e contrátil amenizava as correrias tolas e abusivas da vida que não sabe esperar, essa vida moderna da qual fingimos suportar, quando no fundo estamos sendo corroídos. E vamos carregando, levando, entre surtos e resmungos uma coisa macilenta sem humor e esperança.

domingo, 6 de maio de 2012

Poderíamos ficar juntos, você roubaria minha atenção eu tocaria algo no piano para você, cairíamos na gargalhada por tolices, te ligaria na madrugada, você responderia cheio de sono; tentaríamos cozinhar, eu talvez lhe matasse de susto com uma panela em chamas, entraríamos num acordo, sairíamos domingo atrás duma lanchonete a beira da estrada, enquanto cantássemos rock alternativo, jogaríamos podendo ponderar nossos roubos, você me beijaria quando começasse a ser chata, ouviria de bom grado as suas bobagens fazendo cafuné, cairíamos nos clichês, então brigaríamos numa noite de lua cheia, sairíamos emburrados. Mas você teria me salvado e todas nossas loucuras bastariam.

L.E.Haubert