quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A penumbra era a certeza concreta de que existia um mundo iluminado lá fora, continuando a girar sem anunciar o final dos tempos, era a idealização encarnada de esperanças inúteis. Katrina sabia dessa verdade gravada em suas veias, titubeadas e enaltecidas através de suas assimilações físicas. A montante em suas mãos tinha punho de rubis, afiada dos dois lados reluzindo o seu lema: A escuridão que sou, me é também. 
O gume franco, o corte sereno com a sutileza de um amante, os golpes estoicos calculados milimétricos a encaixarem em uma adversário feio todo de poeira e retalhos. De bonecas e ilusões, inflado com sonhos flutuantes em barris de pólvora e o perigo vinha do interior, das brumas celestiais.
O quarto tinha paredes negras, envolvidas em reformatórios mentais, o vácuo era metade de todo o existente, incluindo dela, os objetos caídos rachados indicavam a simetria bilateral do humor vacilante caminhando em tropeços. Os olhos em cinzas cerimoniais condiziam aos lábios vermelhos de sangue, esguia e forte, ela galgava despertando o primitivo da alvorada, de seu universo particular e do restante, a espada uma extensão de quem era, da personalidade e caráter das cartadas estratégicas pulsáteis lívidas de pudor, embargada na pura liberdade.
E assim ela seguia os trechos confusos de sua pacata existência moldado coisas desinteressantes para saborear o poder ínfimo de breve, mas doce.

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